A verticalização da Vila

19 ago 2013 096
Bonitos, feios, estreitos, largo, baixos, altos, ecológicos… Os prédios despontam na paisagem urbana como um mal necessário. Em bairros residenciais como a Vila Madalena, onde a topografia acidentada restringe grandes investidas arquitetônicas, eles sempre dão um jeitinho de subir e corresponder à demanda de mercado.
Construtoras, incorporadoras, proprietários, investidores… Um rol de profissionais se acotovela sobre propostas de compra e venda de terrenos com um único fim: fazer do negócio um empreendimento lucrativo.

Os prédios começam a despontar na paisagem da Vila Madalena

“Quando cheguei na Vila, em 1973, não havia tamanha especulação imobiliária”, diz o português Manoel Augusto Fernandes Amorim, proprietário de amplo sobrado na rua Medeiros de Albuquerque onde mora e tem comércio. “De uns tempos para cá, já fui sondado algumas vezes, mas o valor oferecido não me convenceu. Prefiro esperar um pouco mais”, revela, explicando que nunca imaginou que o m² no bairro pudesse chegar a R$ 11 mil, R$ 12 mil. “Tem quem fala em R$ 15 mil. Dá para comprar lote de mil m² na roça”, brinca.
IMG_3741
Como Manoel, há dezenas de moradores que, acostumados com a vida pacata no bairro, fazem vista grossa para o surgimento de novos edifícios com olho na valorização do terreno. “Não dou dez anos para a Vila tornar-se um bairro como Pompéia ou Perdizes”, arrisca Mario Amado, há cerca de 40 anos no bairro, cuja casa foi cercada de prédios. “É muito investimento para pouca estrutura. Não temos sequer boca-de-lobo na rua. Só espero que minha casa tenha sido valorizada”.
“Um povo que destrói seu passado não tem futuro, e isso precisa ser mudado ou um dia não saberemos mais de onde viemos, piorando a crise de valores em que já estamos”, afirma Matteo Gavazzi, designer italiano que desenvolve estudos voltados para a preservação de prédios históricos.
IMG_7984
Para Gavazzi, o problema na Vila –e no Brasil– é cultural. “Aqui casa tombada é maldição. Na Itália é preciosidade”, diz. Fã confesso dos projetos da Idea!Zarvos, incorporadora que domina a verticalização na Vila, o designer, ao contrário da tese que diz não haver valor histórico nas casas do bairro, é a favor de mantê-lo ‘baixinho’. “O valor que vejo nelas é saber como foram ocupadas na composição da cidade, a edícula que os imigrantes portugueses construíam nos fundos para os filhos mais velhos e outras informações valiosas”, explica.
E vê-se pipocar em todo lado edifícios em construção. Canteiro de obras. Barulho infernal, poluição, trânsito e muito descontentamento. De um lado, o coro uníssono de moradores contra o adensamento temeroso e a frieza de condomínios. Do outro, o capitalismo e a necessidade de moradia em bairros centrais.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s