O Jardineiro fiel

À primeira vista, Tonhão lembra um pirata sanguinário. Com os cabelos crespos, grisalhos, desgrenhados, boné, barba longa e um olho de vidro, ele assusta também pelo tamanho (1m90) –e pelo saco que carrega nas costas. Os cachorros ladram.

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Mas Tonhão é, há décadas, o jardineiro da Vila. Quem tem um jardim, certamente conhece o cara. Dócil como as próprias flores. Não raro, engata prosa com uma rosa, uma violeta, uma dália, um amor-perfeito…

No livro de Ivo Pezzotti (“Vila Madalena e suas Figuras Notáveis“), ele narra um ‘diálogo’ que ouviu da janela logo após Tonhão ser picado pelos espinhos de uma roseira. “Por que fez isso? Vim aqui para dar um jeito no seu reino, que está uma bagunça, e é assim que você agradece? Por que me feriu? Já pensou se isso infecciona? Como é que vai ficar? Como é que vou poder continuar trabalhando agora?”.

Quando titubeia, procura um canto qualquer, uma calçada, e enfileira latinhas de cerveja. Uma enciclopédia ambulante sobre a Vila. Certo dia contou-me que mora nos fundos de uma propriedade. “Ela já é uma senhora, ficou viúva e me ofereceu um lugarzinho para ficar. Eu cuido do jardim”, disse. Feliz dessa senhora que deve ter um dos jardins mais belos do bairro.

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