Refresco

Desde que os ‘parklets’ chegaram à Vila Madalena as opiniões divergem. De um lado, o coro uníssono de moradores do bairro contra a instalação das minipraças. De outro, donos de estabelecimentos e usuários que defendem o espaço sob o lema da Prefeitura: “Espaço público, área de convivência…”.

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Trata-se de um pequeno espaço, contíguo à calçada, equipado com estrutura móvel como bancos, mesas e plantas, destinado à população. Alguns dispõem de fontes para celulares, energia solar e fumódromo. Todos os ‘parklets’ instalados na Vila ficam defronte a um bar ou restaurante.

“É uma hipocrisia!”, diz Zé, proprietário do bar PontoX, esquina das ruas Aspicuelta e Fradique Coutinho. “Todos sabem que nada mais é que a extensão do bar”.

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Segundo a juíza Márcia, ficou mais difícil passear com os cachorros aos fins de semana. “Não dá para passar na calçada e não vou me arriscar na rua estreita, com mão dupla”, explica.

Para Leo, sócio do restaurante Sabiá e da casa de samba Ó do Borogodó, a ocupação de espaço público, como calçadas, pelo setor privado antecede o ‘parklet’. “Antes de tudo, é preciso lembrar que aquela pracinha estaria antes ocupada por dois carros”, diz, lembrando que integrou o grupo de comerciantes, convocado pela Prefeitura, para a defesa do projeto.

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“A instalação do equipamento, que não é barato (entre R$ 25 e R$ 40 mil –há, na Vila, comerciante que pagou apenas R$ 8 mil), precisa corresponder a uma série de pré-requisitos como largura, vagas de carro, declive da rua, etc”, explica Leo. “Por isso mesmo não instalamos no Sabiá (Rua Purpurina). Não cabia. Já no Ó do Borogodó (Rua Horácio Lane) estamos estudando a possibilidade de ter”.

A necessidade de estudo para adaptar os ‘parklets’ à população de cada bairro é determinante. “A Vila é um morro, com ruas estreitas, duas mãos, carros estacionados nos dois lados e, agora, ‘parklets” nos dois sentidos”, desabafa a comerciante Vera, proprietária do Ramones, na esquina das ruas Wisard e Fidalga. “Querendo ou não, rouba o caminho do transeunte que já tem pouco espaço de locomoção”.

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“Outro dia voltava da feira, cansado, e decidi sentar no ‘parklet” da rua Aspicuelta”, relembra o morador Edmilson, da rua Mourato Coelho. “O garçom se aproximou, disse que deveria tirar ficha no bar e trazer meu próprio pedido à mesa”, revela. “É constrangedor. Não tenho coragem de sentar num desses lugares. Estão todos bebendo, consumindo produtos do bar, então aquele assento, para eles, vale dinheiro”.

Paula e Mariana, do Bar Genésio, resumem bem o que o “parklet’ pode oferecer ao simples pedestre. “Descanso, plantas, pessoas e comida ao ar livre”.


Inventados em São Francisco, Calfórnia (EUA), em 2010, os ‘parklets’ chegaram ao Brasil em 2013 trazidos pela ONG Instituto Mobilidade Verde. Qualquer pessoa pode solicitar um ‘parklet’ desde que desembolse a quantia e corresponda a certos critérios.

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Os pontos indicados entre a SP Urbanismo e as Subprefeituras para instalação das minipraças são as calçadas movimentadas, centralidades comerciais e equipamentos municipais --de preferência sob a sombra de árvores. Nada a ver com estabelecimentos comerciais.

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