Blocos, Beijos e Vidros

O Carnaval 2016 na Vila Madalena, pode-se dizer, foi mais um ‘aval carnal/etílico’, que Carnaval propriamente dito. No quadrilátero fechado (ruas Aspicuelta, Wisard, Mourato e Girassol), desfilaram tribos cuja única fantasia era a cor das garrafas Askov –vodka com fruta (9% a 16% de álcool). O objetivo? Percorrer a tríade: Sexo, Drogas e… ‘pancadão’.

Vidro estilhaçado substituiu a purpurina. A partir das 22h, todos os moradores do bairro –ou quase todos– ouviram gritos, palavrões e sons de garrafas, garrafinhas e garrafões sendo estateladas contra o chão, postes, paredes e afins.

O ápice deu-se em dias oficiais de Carnaval, quando a população chegou a 15 mil ‘foliões’. A polícia impediu o acesso ao quadrilátero.

De acordo com pesquisa da Prefeitura, homens de 18 a 24 anos, provenientes de outras regiões, foram maioria e não vieram à Vila especificamente para o Carnaval. Queriam bebericar, beijar, curtir e dar ‘rolezinho’ num bairro badalado. Tá explicado a polêmica do assédio? Nas ruas, eles chegavam a cercar mulheres e exigir um beijo.

O pico dava-se das 18h às 23h –tempo suficiente para os ‘coloridinhos’ encher a cachola, perder a censura e deixar-se conduzir pela ferveção.

Então, a patrulha da limpeza invadia as ruas, após a PM dispersar ‘muvucas’. Os muitos adormecidos, letárgicos sobre calçadas, acordavam sem saber ao certo o que sucedia. Juntavam-se aos amigos ‘walking deads’, que lhes forneciam mais uma dose (é claro que tô afim’) e partiam rumo ao metrô.

Dominados pela ira –e loucura– criavam sinfonia no trajeto, regida pelo estardalhaço das garrafas, enquanto vociferavam palavrões. Fariam eles o mesmo, em suas ruas?

Ao contrário de anos anteriores, quando os bares tradicionais venderam rios –na esteira da Copa–, neste ano foi cena comum garçons de braços cruzados nas portas de estabelecimentos. Os ambulantes novamente dominaram o bairro. E os supermercados, de forma irresponsável, faturaram horrores. Foram eles os fornecedores –a preço razoável, com promoção de produto– dos vasilhames de vidro.

Carnaval

Apesar do equívoco e da repreensão severa da polícia, houve, sim, desfile de blocos, alguns tradicionais como o Ó (muitas crianças), o antigo Bola 7 (moradores), Macaco Cansado e muitos outros –sob a luz do dia. São, para eles, a homenagem do blog.

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