Arca de Noé

Como nos velhos tempos, quando o céu fecha, nuvens trovejam e raios anunciam tempestade na Vila Madalena, é hora de tomar providências e se preparar para o caos. Os moradores evitam elevadores, desligam aparelhos eletrônicos e mantêm a geladeira fechada para prolongar o resfriamento –certamente a energia elétrica cairá. Sair às ruas, nem pensar! As áreas baixas do bairro ficam alagadas, algumas com profundidade de 2,20m do nível da rua.

Carros ficam empilhados na rua Harmonia (Reprodução/TV Globo)

Carros empilhados na rua Harmonia (Reprodução/TV Globo)

Os que, por algum motivo, arriscam manter os carros na rua costumam acorrentar as rodas em concreto para não ser arrastados. O Batman fecha a capa em seu beco. O Rio Verde transborda com força. Sim, existe um rio na Vila, que corre sob a Rua Medeiros de Albuquerque, avança pelo Beco do Batman, Rua Harmonia, Belmiro Braga e vai embora…

Já ocorreram duas mortes na região. Crateras abertas pelas águas engoliram automóveis. Não raro, vê-se na mídia carros empilhados, paralelepípedos arrancados, grades de bueiros soltas e outros objetos de utilidade pública destruídos.  Um rastro de lama, muita lama.

Chuvaa[1]

Pobres comerciantes. Na ausência do poder público, eles mesmos instalaram comportas para não ver seus estabelecimentos e produtos –sustento– danificados. Os grafiteiros minimizam o visual frio do ferro.

Em 2011, os moradores encaminharam abaixo-assinado para a SIURB, DECOMT, Subprefeitura de Pinheiros e Secretaria do Verde, pedindo soluções imediatas mas nada foi feito. O texto indica os pontos críticos e adverte: “O lixo, o entulho e as doenças que surgem após cada alagamento também são uma preocupação já que aumentam e prologam o risco de contágio de doenças como dengue e leptospirose”.

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Um dos principais motivos para as enxurradas, além do volume de água e impermeabilização, é o lixo dispensado de forma irresponsável que entope bueiros e reduz o poder de escoamento. “Na gestão Marta Suplicy, foi prometido um piscinão lá em cima, na Heitor Penteado. São mais de 30 anos de pânico”, lembra o comerciante Manoel Amorim, que ao invés de comporta, preferiu elevar a entrada do bar.  “Existem galerias subterrâneas que, com o lixo [plástico, principalmente], não suportam o excesso de água”, diz o cartunista Orlando Pedroso.

Para o arquiteto\urbanista Agripino Ferraz, é tudo uma questão de cálculo, dinheiro e boa vontade. “É  necessário calcular o volume de água com o tamanho das galerias, levando em conta o Rio Verde”, diz. Segundo Ferraz, a impermeabilização do solo avançou drasticamente e a capacidade das galerias permaneceu a mesma.

Enquanto a solução não vem, a saída é olhar para o céu, as nuvens, consultar previsões meteorológicas e adotar medidas preventivas.

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