A origem

Muito se fala em Beco do Batman mas pouco sobre o Beco do Aprendiz –onde tudo começou. Trata-se de uma travessa escondida que, no início do século, foi transformada em point de grafite e de eventos a céu aberto. Na verdade, uma via de escoamento sob a qual corre o Rio Verde. Há apenas duas entradas: uma pela quadra de basquete, na Rua Belmiro Braga, outra, estreita e quase desconhecida, pela Padre João Gonçalves.

Beco do Aprendiz (11)

O Beco do Aprendiz (Fotos: Leonardo Raposo)

Aprendiz por que a galera que transformou a área fazia parte do Cidade Escola Aprendiz, projeto do jornalista Gilberto Dimenstein cuja meta era transformar pichadores em grafiteiros. “Antes, não havia nada”, lembram Rose e Nelson, há décadas no bar da esquina. “No lugar da quadra, havia mesas de concreto com tabuleiros de dama e xadrez, onde a terceira idade se encontrava. Mas começaram a chegar muitos indigentes para lavar a roupa e aquilo ficou parecendo uma lavanderia. Tinha roupa estendida em todo canto”.

Beco do Aprendiz (7)

Já no Beco, ali ao lado, outro movimento se intensificava: tráfico e consumo de drogas. Os grafiteiros chegaram no final de 2002 e foram se multiplicando. “De repente, a bolha inflou e estourou, tinha muito gente e… disputa por espaço”, diz Jerry Batista (A7MA) que, ao lado de outros ex-aprendizes, migraram para o Beco do Batman.

“Realmente, o projeto acabou atraindo muitos grafiteiros para o bairro. Mas antes da nova geração chegar ao Batman, já havia obras de OsGemeos, Zezão, Higrafi, Zé Carratu, Speto, Niggaz e outros”, recorda o artista plástico Sérgio Fabris que também imprimiu grafite no local.

Beco do Aprendiz

A distância próxima entre os dois becos acabou gerando um intercâmbio saudável. Artistas das antigas como Pato e Tinho, que estiveram envolvidos na repaginação do Beco do Aprendiz, circulam nos dois polos. Há, claro, regras a ser seguidas para pintar uma parede, já que toda a extensão vertical de ambos estão tomadas de cores –autorais.

O Beco do Aprendiz, no entanto, está mais para Gotham City que o do Batman propriamente dito. A iluminação precária, acesso confuso e rondas da polícia criam todo um clima em torno dos grafites.

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