Sagrado

Na transição do século, anos 1999, João Paulo ou Nove Digitalorgânico – como é conhecido no mundo do grafite –, cortava as ruas do Centro de skate, observando as pichações e grafites nos muros da região. Um dia, decidiu comprar um spray prata, pincel, rolinho e começou com as letrinhas, como no jardim de infância, a, b, c…

Logo tomou gosto pela coisa, principalmente após imersão no universo de cores. “Pintava portas de aço, tapumes, coisas baratinhas para ter dinheiro e subsídio de material”, lembra. “Quando chovia, pintava em tela, madeira, metal, o que estivesse à disposição”.

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Munido de portfólio, Nove foi à Galeria Choque Cultural e mostrou seu trabalho ao dono, Baixo Ribeiro. “Ele gostou e topou fazer uma exposição no dia 9/9/2009 com mais três artistas. Cada um ficou com um andar.”

Após a empreitada, Nove passou a focar mais nas artes plásticas e analisar seu potencial. “Sempre fui contra o caminho ditado que o artista precisa percorrer. Aquela história de residência, arte contemporânea etc., está saturada.

A turma da street art evoluiu, está em outro patamar e o que falta, mesmo, são oportunidades”, afirma.

 (Foto: Simon Plestenjak)

Foto: Simon Plestenjak

Segundo o pintor, as empresas perdem muito por não entenderem que a obra é a ponte de comunicação entre o produto e o cliente. “Mas a função do artista é desenvolver o trabalho com a empresa e não para ela, porque evita responsabilizar-se por uma demanda que não lhe pertence”, filosofa.

Nesse sentido, o grafiteiro acha que chega um ponto em que todo artista precisa de uma galeria para ser representado. “Não aquela que tenha 50 nomes e você seja o 51, entende? De preferência, uma que não tenha alguém em seu segmento e perceba aonde quer chegar.”

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O cara que sempre desenhou mulheres e água é confesso apaixonado pelas formas e sentimentos femininos. “É um ser complexo que gera vida e amor”, resume. “Mas hoje estou empenhado em obra minimalista, pouco fragmento, cujo fundo é o protagonista”, explica, revelando que recentemente foi abordado por alguém que classificou sua obra como geometria sagrada. “Ele falou da simetria, da luz, do cosmo, do divino, da harmonização. Ou seja, estou fazendo algo totalmente intuitivo. Cheguei a ler sobre o tema mas não quis me aprofundar para não direcionar muito meu traço”, diz.

– Dá para escolher uma obra relevante na longa trajetória?

– Tenho trabalhos no Canadá, Inglaterra, Alemanha, Suíça, EUA e outros países mas essa pergunta não posso responder. É tão sentimental que não dá para escolher um só e virar as costas para os outros.

Digital Orgânico Stúdio
Onde: Rua Madalena, 470

 

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