A força do Beco

Na esteira do sucesso dos grafites no Beco do Batman, que atraíram uma multidão à Vila Madalena, três galerias de arte surgiram no pedaço: Local Stúdio Arts, Alma da Rua e Luis Maluf Art Gallery. Há outras duas, a precussora Choque Cultural e a A7MA, a poucos metros da viela. Grafiteiros desta e da Local são maioria quando o tema é grafite no Beco.

Fachada do Muriqui (Fotos: Leonardo Raposo)

No segmento gastronômico o Clandestino, da chef Bel Coelho, chegou primeiro. O Muriqui Cerâmica, que divide imóvel à rua Aspicuelta com o Espaço Cult – com fundos para o Beco – também decidiu arriscar experimentos culinários aos fins de semana e ao que tudo indica, vai bem. A diferença é que, com ares de laboratório, o Clandestino está permanentemente em ebulição.

No inicio do ano, o Viveiro, empresa focada em coworking, abriu duas unidades no Beco: Viveiro Galeria e Viveiro Café. A proposta é promover encontros, diálogos, reflexões, lançamentos, ações voltadas à solução de problemas. Pelo visto, terá muito trabalho pela frente.

Viveiro Café, o mais recente espaço da Vila

Moradores da região também aproveitaram o aquecimento para abrir pequenos bares, como o Bar do Beco e Buteco da Paulinha. Dona Mara foi mais criativa. Arrastou duas mesinhas para a rua, as cobriu com toalha e vende água, refrigerante, cerveja, salgadinhos e doces, aos sábados, domingos e feriados.

Provavelmente, a maior tacada entre os ‘locais’ deu o marceneiro Almir, com oficina à entrada do Beco pela rua Harmonia. Resolveu dividir o espaço da marcenaria em dois e chamar Vera, sua mulher baiana, para pilotar um restaurante self service. Dizem que tem mão de ouro. Com mesinhas na calçada, vive cheio.

Público em um dos eventos de fim de semana do Armazém da Cidade

Já nas imediações do Beco, o boom no comércio foi mais robusto. Criado em 2015, o Armazém da Cidade, iniciativa do jornalista Gilberto Dimenstein –que está no projeto Ruas Abertas aos domingos –, abriu as portas com programação cultural que atraiu grande quantidade de pessoas.

O espaço foi fateado em leque de produtos que vai de artesanatos a quitutes e bebidas. Há palestras, meditação, oficinas, moda, mas a atração principal são os shows, com MPB, música erudita, roda de samba e homenagem a grandes intérpretes. Em dias de sol é imbatível.

Fachada do Boteco São Conrado

Na esteira do Armazém, o Boteco São Conrado chegou em 2016, como extensão do Boteco São Bento que fica no outro extremo da rua e pertence ao mesmo grupo. É até agora, o estabelecimento com mais pompa na área. Do outro lado da rua, o bar Bargaça entrou na onda, chamou grafiteiros para colorir as paredes e disputa lado a lado com os grandes.

Duas construções, o que seria um restaurante contemporâneo (ao lado do Armazém) e uma filial do Bar Brahma (pertinho do São Conrado) estão com as obras embargadas. Problemas com a Lei de Zoneamento?

Filial do Bar Brahma com obra embargada

Epílogo

Embora os estabelecimentos comerciais tenham fincado bandeira nas imediações do Beco – muito por conta dele –, uma coisa não tem nada a ver com outra. Claro que, estando tão próximo, as pessoas aproveitam para um passeio pelos grafites – ou não. Mas nem todos os visitantes do Beco fazem pit stop nessas casas, com preços relativamente altos.

Talvez a maior diferença entre os dois pontos é que, enquanto os bares/restaurantes agem dentro da lei, o Beco segue em ‘terra de ninguém’.

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