Solo

Ex-discípulo do artista Eduardo Kobra, o grafiteiro Dicésar Love (César Almeida) alçou voo próprio há cerca de um ano. Conheci Dicésar com a equipe Kobra e sozinho, no trabalho que fez para o Boteco São Conrado –estilo que ele replicou no Bar Santa Teresa, ambos na Vila Madalena. São desenhos que mostram a junção de dois rostos de sexo opostos com traços finos que simbolizam o amor –explícito na alcunha do autor.

Detalhe do mural Etnias, feito por Dicésar para as Olimpíadas no Rio (Reprodução/Facebook)

“Busco sempre, em meus trabalhos, resgatar o romantismo, a paixão e os rostos simbolizam a fusão de duas metades que se complementam”, explica Dicésar, revelando que se tivesse de citar uma inspiração seria o pintor Pablo Picasso.

Trabalho em 3D para Petrobrás (Reprodução/Facebook)

O artista está, no momento, realizando o segundo trabalho em 3D, para a Petrobrás (RJ). Para quem não lembra, Dicésar foi um dos grafiteiros presos na operação Cidade Limpa, quando sobrepunha um desenho sobre a tom cinza que cobriu a obra realizada com Kobra na Avenida 23 de Maio. “Aquele muro era nosso, fiquei muito triste com a situação”.

Os dois se esbarraram em 2000, quando ele, de passagem pelo Largo da Batata, viu Kobra em ação. “Ele pintava que nem louco, magrelinho, descabelado, sujo de tinta”, lembra. Trocaram informações, contato e, passado um tempo, Kobra o procurou para um trabalho no Playcenter (antigo parque de diversões na Marginal Tietê). “A gente se instalou no local, havia uma oficina de grafite e fazíamos o que o contratante pedisse”, diz.

Preto, branco e colorido

Zoio, Dicésar, Kobra e Yuya

A partir de 2009, o time de Kobra, Dicésar, Agnaldo e Zoio, começou a fazer intervenções no Centro com imagens de São Paulo antiga em PB, após imersão na exposição Cidade que Pinta, alusão à Cidade Linda, quando o artista decidiu garimpar outdoors retirados pela Prefeitura em depósitos, ferros-velhos e repaginá-los para a mostra. Fazem parte do período seguinte, as séries Rodeio e Greenpincel (trocadilho com Greenpeace), em que denunciam os maus-tratos à natureza e aos animais.

Grafite no Bar Santa Teresa (Foto: Leonardo Raposo)

O grafiteiro, que viajou o mundo com os colegas de tinta, lembra o tempo em que o chefe chegou ao atual estilo – multicolorido. “Ele estava buscando uma identidade, uma marca que pudesse traduzir seu trabalho à primeira vista”, explica. “Começou a rabiscar e colorir o rosto de todo mundo e eu dizia que estava muito confuso, a mistura das cores engolia o rosto das pessoas”, sorri. O fim da história, todos conhecem. “Foi aquele boom e começamos a fazer trabalhos em vários países”.

Dicésar e o irmão Igor (Foto: Leonardo Raposo)

No ano passado, Dicésar decidiu que era hora de caminhar com as próprias pernas, bateu um papo com Kobra e, desde então, desvenda novos caminhos e repensa a trajetória que começou cedo, mas ganhou impulso quando, aos 22 anos, o gerente do restaurante onde era garçom pediu que desenhasse na parede a imagem de Charles Chaplin. Sim, foram os elogios –e ousadia — que levaram o rapaz às ruas.

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